Guardião do Bairro Alto, edifício histórico do século XVI, o Solar dos Poetas atravessou séculos e largas gerações. Testemunho atento de um mundo em constante transformação, conserva intactas a sua identidade, as suas raízes e a sua presença.
Antigo apêndice do Palácio dos Marqueses de Marialva, que antes do Grande Terramoto de 1755 ocupava a área onde se desenha a Praça Camões ̶ coração histórico e cultural da cidade ̶ o edifício mantém-se ligado à mesma linhagem histórica, a família Bragança Mendes. Uma continuidade rara, discreta e profundamente lisboeta.
Aqui, o passado não é ornamento: é matéria viva. Presente nos valores, nos costumes e na vontade partilhada de continuar a construir futuro.
O Solar guarda memórias e segredos de tempos que já não voltam e projeta o amanhã através do antigo Quiosque do Camões. Espaço cultural que é, simultaneamente, herança e promessa, continua a dar palco a novos talentos da literatura nacional e internacional, assumindo a palavra como a sua vocação intemporal.
Um edifício, múltiplas narrativas
No seu conjunto, o Solar dos Poetas afirma-se como uma casa de palavras e de vidas em movimento. Um espaço onde diferentes formas de habitar coexistem com naturalidade ̶ umas mais breves, outras mais prolongadas ̶ unidas por uma mesma identidade.
As Alas do Solar
O edifício organiza-se em diversas alas, todas inspiradas na vida e na obra de figuras maiores da literatura portuguesa. As alas evocam Gil Vicente, Luís de Camões, Bocage, Eça de Queiroz, Fernando Pessoa, Florbela Espanca, Miguel Torga, Sophia de Mello Breyner Andresen, Marquesa de Alorna e Natália Correia.
Enquanto as restantes alas recebem visitantes, estas duas últimas partilham uma vocação de permanência mais contínua e habitada. Um tempo vivido com intenção: para trabalhar, estudar, criar, reorganizar ideias ou simplesmente estar.
Inspirado no espírito livre, crítico e cosmopolita do Bairro Alto, o Solar dos Poetas acolhe, à boa maneira portuguesa, quem chega a Lisboa ̶ cidade de ir e voltar ̶ para aqui escrever um novo capítulo.
"Que amor é este que me faz ir e voltar, Lisboa?" - Fernando Pessoa